sexta-feira, 26 de maio de 2017

James Bond - Roger Moore

O ator Roger Moore faleceu no último dia 23 de maio em sua casa na Suíça. O ator vinha lutando contra um câncer devastador, descoberto apenas recentemente. Ao longo de sua carreira Moore atuou em muitos filmes e séries, na TV e no cinema. No total foram 95 títulos, demonstrando como foi vasta, rica e interessante sua filmografia. Porém o fato inegável é que Roger Moore sempre será lembrado por seus filmes como James Bond. Ele atuou em sete produções, se tornando assim o ator que mais interpretou James Bond no cinema até hoje! Moore veio para substituir Sean Connery e George Lazenby no papel do famoso agente inglês. Connery era considerado insubstituível nesse quesito, algo que Lazenby sentiu na pele ao ver seu filme como Bond fracassar nas bilheterias. Apenas Roger Moore conseguiu levar em frente a franquia com sucesso após a saída de Sean Connery. Ele segurou o posto durante as décadas de 1970 e 1980. Abaixo segue todos os filmes de Moore como Bond, com seus altos e baixos. É a nossa singela homenagem a Roger Moore e seu legado cinematográfico como Bond.

1. Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973)
Depois que Sean Connery resolveu abandonar de uma vez por todas o personagem do agente secreto James Bond a pergunta mais frequente passou a ser se outro ator conseguiria levar adiante a franquia. Após a saída de Connery houve uma tentativa com o modelo George Lazenby, mas definitivamente o público não gostou (embora o filme estrelado por ele fosse, em si, muito bom). Então eis que em 1973 a MGM apresentou finalmente o nome do novo James Bond, Roger Moore! Para quem conhecia os bastidores da série seu nome não foi exatamente uma novidade. A verdade é que Moore quase foi escolhido no lugar de Sean Connery no passado, mas o carisma do ator escocês falou mais alto. Agora com Connery fora do caminho começaria uma nova era nas aventuras do agente secreto mais famoso da história do cinema. Esse "Live and Let Die" porém não ficou conhecido apenas por ter sido a estreia de Roger Moore. Dois outros fatos contaram positivamente em seu favor. O primeiro foi a trilha sonora escrita e composta por Paul McCartney. Verdade seja dita, a canção tema é uma das melhores (isso se não for a melhor) de toda a filmografia Bond. Paul conseguiu como poucos capturar a essência do personagem, transformando sua canção em um hit e em um sucesso também de crítica (a ponto de ter sido indicada ao Oscar e ao Grammy). Inclusive até hoje Paul a usa em seu repertório fixo, se tornando um dos pontos altos de seus concertos mundo afora. Outro ponto que chama bastante a atenção do espectador é que nesse filme já surge o humor acentuado em primeiro plano, algo que seria a marca registrada dos filmes com Roger Moore. Claro que por ser uma estreia as coisas ainda andaram um pouco dentro da normalidade, algo que nos filmes seguintes se tornaria um pouco mais exagerado. De qualquer maneira gosto bastante desse filme e acredito que foi um dos mais felizes e bem sucedidos de todos os filmes da série. Com Roger Moore os filmes ganhariam uma nova etapa, retornando o personagem ao topo das bilheterias, para alegria dos fãs de James Bond em todo o mundo. / Com 007 Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, Inglaterra, 1973) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Tom Mankiewicz / Elenco: Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour.

2. 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (1974)
O serviço secreto inglês descobre que seu agente James Bond (Roger Moore) está na mira de um assassino profissional conhecido como Francisco Scaramanga (Christopher Lee). Suas intenções de liquidar 007 ficam óbvias após ser encontrado uma bala de ouro com o código de Bond impresso nela. Há suspeitas que o mesmo assassino tenha matado friamente o agente 002 numa missão. Para evitar maiores problemas a agência de espionagem resolve assim afastar Bond de seus serviços por um tempo. Livre de cumprir uma agenda de missões, Bond resolve então ir atrás por conta própria de Scaramanga. Como pista usa a própria bala que foi dirigido a ele. Em pouco tempo James Bond segue seu rastro em lugares tão distantes como Beirute, Hong Kong e Macau. O infame assassino profissional usa uma arma de ouro, com calibre próprio. Para Bond essa seria uma pista segura para se chegar até ele. Esse foi o segundo filme de Roger Moore como James Bond. O primeiro, "Com 007 Viva e Deixe Morrer", foi sucesso de público e crítica. Uma alívio para os produtores que temiam que a franquia chegasse ao fim com a saída de Sean Connery. Esse segundo filme não é tão bom quanto o anterior, mas inegavelmente tem seus méritos. O maior deles talvez seja a presença do ótimo ator Christopher Lee como o vilão Scaramanga. Ele é um tipo bizarro, com uma característica física incomum (tem três mamilos!) e um assistente anão tão perverso quanto o próprio. Esse papel foi interpretado pelo ator Hervé Villechaize (que ficou muito conhecido no Brasil interpretando o personagem Tatu na série "A Ilha da Fantasia", que fez bastante sucesso na TV brasileira durante os anos 70). O roteiro não tem muitos mistérios ou tramas internacionais a se revelar, se resumindo muitas vezes a ser apenas uma disputa de vida ou morte entre Bond e Scaramanga. Esse porém não é um problema exclusivo do filme em si. O livro escrito por Ian Fleming em 1965 também foi criticado por essa razão. Enfim, um bom filme da safra com Roger Moore que com ele se estabeleceria definitivamente como Bond, só deixando a série em meados da década seguinte. / 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (The Man with the Golden Gun, Inglaterra, 1974) Direção: Guy Hamilton / Roteiro: Richard Maibaum, Tom Mankiewicz, baseados no livro escrito por Ian Fleming / Elenco: Roger Moore, Christopher Lee, Hervé Villechaize, Britt Ekland / Sinopse: O agente inglês James Bond (Roger Moore) passa a ser caçado pelo assassino profissional Francisco Scaramanga (Christopher Lee), dando início a uma disputa de vida e morte entre eles. Filme premiado pelo Saturn Award na categoria Best DVD / Blu-Ray Collection.

3. 007 - O Espião Que Me Amava (1977)
Nessa terceira aventura de Roger Moore como James Bond, o agente inglês 007, ele precisa desvendar uma grande conspiração internacional envolvendo submarinos nucleares das grandes potências, tramas de espionagem e, é claro, um novo envolvimento amoroso com uma agente russa da temida KGB. Esse filme da franquia oficial acabou ficando conhecido por várias cenas marcantes, porém hoje em dia é mais recordado por trazer a bela atriz  Barbara Bach como a Major Anya Amasova, uma agente do serviço secreto soviético. É curioso que em plena guerra fria os filmes de Bond tenham investido em uma Bondgirl vermelha, comunista e assassina. A atriz Barbara Bach na época era casada com o ex-Beatle Ringo Starr, o que não diminuiu os rumores de que ela havia se envolvido com Roger Moore durante as filmagens. Outro aspecto sempre lembrado desse filme foi o fato de aparecer pela primeira vez na franquia o vilão Jaws, interpretado pelo ator (e gigante) Richard Kiel. Ele era bem cartunesco em cena, conseguindo as maiores proezas (como mastigar fios de alta tensão) e fez tanto sucesso que acabou voltando no filme seguinte. Por fim um fato curioso: esse filme de James Bond conseguiu a proeza de ser indicado em três categorias do Oscar, Melhor Direção de Arte (Ken Adam e Peter Lamont), Melhor Trilha Sonora Incidental (Marvin Hamlisch) e Melhor Música original ("Nobody Does It Better", de autoria de Marvin Hamlisch e Carole Bayer Sager). Também arrancou duas indicações ao Globo de Ouro nessas mesmas últimas categorias. Não é de se admirar que com tantas músicas românticas bonitas tenha sido considerado o filme mais romântico de James Bond com Roger Moore. / 007 - O Espião Que Me Amava (Inglaterra, Estados Unidos,1977) Direção: Lewis Gilbert / Roteiro: Christopher Wood, Richard Maibaum / Elenco: Roger Moore, Barbara Bach, Curd Jürgens.

4. 007 Contra o Foguete da Morte (1979)
O Agente James Bond (Roger Moore) é enviado pelo serviço secreto para investigar um suposto plano internacional envolvendo armas espaciais. No meio das investigações acaba descobrindo que se trata de algo bem maior do que se pensava, um projeto visando dar origem a um verdadeiro genocídio no planeta Terra. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhores Efeitos Especiais. É uma pena que logo o filme em que James Bond veio ao Brasil seja considerado um dos piores da franquia. A intenção seria modernizar o personagem, o colocando no meio de um enredo que lembrava até mesmo o grande marco de bilheteria da época, "Guerra Nas Estrelas". O problema é que o tiro saiu pela culatra. O enredo não ajuda em nada, os efeitos especiais revistos hoje em dia parecem completamente toscos e sem noção (apesar de terem sido indicados ao Oscar na época) e Roger Moore... bem, ele continuou sendo Roger Moore, fanfarrão até dizer chega, cheio de piadinhas e cenas supostamente cômicas que só estragam o resultado final. Jamais parece levar algo à sério durante todo o filme. De certa forma "Moonraker" serve apenas como uma forma de demonstrar que em plenos anos 70 o personagem perdia cada vez mais força e relevância. De bom mesmo apenas algumas boas sequências de ação, uma delas com o famoso vilão Jaws (interpretado pelo ator Richard Kiel, um grandalhão recentemente falecido) que luta com Bond nos bondinhos do Rio de Janeiro, imagine você! No geral não há muito por onde ir, "007 Contra o Foguete da Morte" é de fato muito ruim mesmo. Pelo jeito o Brasil fez mal a 007, Um James Bond para esquecer. / 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, Estados Unidos, 1979) Direção: Lewis Gilbert / Roteiro: Christopher Wood / Elenco: Roger Moore, Lois Chiles, Michael Lonsdale.

5. 007 - Somente Para Seus Olhos (1981)
Um embarcação da frota britânica afunda e com isso uma importante arma secreta desaparece de forma misteriosa. Para investigar o paradeiro dela o serviço de inteligência real envia o agente 007, James Bond (Roger Moore), para dar solução a todo o mistério, pois caso a arma caia em mãos inimigas o mundo correrá um grande risco. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria Melhor Canção Original (Bill Conti e Michael Leeson pela música "For Your Eyes Only"). Quinto filme de Roger Moore na pele de James Bond. O ator segurou as pontas por duas décadas, de 1973 (quando realizou o primeiro filme com o personagem em "Com 007 Viva e Deixe Morrer") até 1985 (quando se despediu de Bond em "007 - Na Mira dos Assassinos"). Esse "007 - Somente Para Seus Olhos" seria seu antepenúltimo filme como o mais famoso agente inglês do cinema. Por essa época os produtores já se movimentavam para dar um novo fôlego para as aventuras de 007. Roger Moore já estava ficando velho para o papel e seu estilo, mais escrachado, quase indo para a galhofa completa, estava minando a credibilidade do personagem como herói de ação. Revisto hoje em dia muito dos filmes de Moore se tornam anacrônicos, datados, pouco atrativos, justamente por trilhar muitas vezes o caminho da auto paródia. Claro que Roger Moore foi importante dentro da franquia, principalmente após Sean Connery decidir abandonar os filmes de Bond, mas também trouxe um certo desgaste para a série de uma forma em geral. Não gosto muito desse filme em particular pois acho que teve uma das mais fracas produções, embora algumas cenas - como a perseguição na neve e o ataque de tubarões - tenham algum valor. A música tema também é bonita, embora ande esquecida. Em suma, um Bond de rotina na era de Roger Moore. / 007 - Somente Para Seus Olhos (Inglaterra, Estados Unidos,1981) Direção: John Glen / Roteiro: Richard Maibaum, Michael G. Wilson / Elenco: Roger Moore, Carole Bouquet, Topol.

6. 007 Contra Octopussy (1983)
Após a morte de um importante agente, um plano criminoso que envolve falsificação de obras de arte é descoberto. James Bond (Roger Moore) é designado para o caso mas acaba descobrindo algo maior, envolvendo até mesmo o uso de armas nucleares para dominar toda a Europa. No centro de tudo o agente inglês acaba se deparando com a perigosa contrabandista Octopussy (Maud Adams), que está disposta a tirar 007 de seu caminho. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy Horror Films nas categorias Melhor Filme e Melhor Atriz Coadjuvante (Maud Adams). Mais um filme de James Bond na era Roger Moore que será exibido essa semana pela TV a cabo brasileira. "Octopussy" é um dos mais conhecidos filmes com Moore e também um dos mais bem sucedidos de bilheteria - o que deu uma sobrevida ao ator na pele do agente secreto inglês. Mesmo com a boa recepção do público, a crítica achou que as palhaçadas (literalmente falando) em cima do personagem já tinham passado do limite. Existem cenas tão absurdas que acabam transformando o filme numa auto paródia de humor involuntário. Como se não bastasse ainda temos que encarar Bond dando uma de Jim das Selvas em momento tão sem graça como constrangedor. De bom mesmo apenas as boas locações na Índia - com destaque para o famoso Taj Mahal, além da produção bem mais caprichada e bem realizada do que a do filme anterior. Também merecem destaque algumas boas cenas de ação, entre elas aquela em que Bond pilota o que é chamado de menor jato do mundo (uma geringonça que mais parece um ultraleve turbinado) e outra, quando fica pendurado no teto de um avião em pleno vôo (um maravilhoso trabalho do dublê do filme). Esse seria o penúltimo filme de Moore no papel, algo que para muitos deveria ser o último. De qualquer maneira, como é um Bond da franquia oficial (pois o filme de Sean Connery estava saindo nesse mesmo ano nos cinemas para disputar nas bilheterias), vale a pena ser assistido por pelo menos uma vez na vida, afinal os fãs de 007 não deixariam passar mais essa aventura em branco. / 007 Contra Octopussy (Estados Unidos, 1983) Direção: John Glen / Roteiro: George MacDonald Fraser, Richard Maibaum / Elenco: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jourdan

7. 007 - Na Mira dos Assassinos (1985)
É o último filme de Roger Moore como James Bond. Assistindo realmente chegamos na conclusão que era o fim da linha para Moore. Ele já estava velho demais para bancar o agente inglês (sinais da idade estão em toda parte, até seu pescoço, por exemplo, que mostra claros sinais da passagem do tempo). Além disso ele surge usando um cabelo estranho, de cor nada natural, bem artificial. Roger Moore foi um bom ator para a franquia. Ele nunca se levava muito à sério, seu filmes sempre tinham um lado de chanchada bem diferente dos que foram feitos por Sean Connery que apresentavam uma postura mais séria com o personagem. O roteiro é baseado em um pequeno conto de Ian Fleming publicado em 1960 (praticamente todos seus livros já tinham sido adaptados e por isso tiveram que apelar para pequenos textos deixados pelo autor). Para completar a trama misturaram com outros filmes de James Bond e o resultado de tanta mistura surge em cena. O filme não é ruim, tanto que anos depois o próprio Roger Moore confessou ser esse seu filme preferido com o personagem, mas a sensação de Deja Vu é muito forte. Os vilões são bacanas - o antagonista de Bond, o industrial Zorin, é interpretado por um Christopher Walken com peruca loira totalmente fake (o que torna tudo ainda mais divertido). Ele está totalmente sem freios em cena! Já a vilã é feita por uma estranha Grace Jones (ok, seu tipo exótico era bem curioso mas não tem como negar que ela era uma péssima, péssima atriz, daquelas que não conseguem falar uma linha de diálogo com veracidade). A trilha sonora é assinada pelo grupo Duran Duran (grupo extremamente popular na década de 1980). O interessante é que em seu último trabalho como o agente inglês as antigas galhofas que faziam parte dos filmes com Roger Moore são deixadas de lado. "007 Na Mira dos Assassinos" é bem mais sisudo e menos galhofeiro do que os outros filmes feitos por ele mas mantém o interesse por causa de algumas cenas legais (como as feitas na Torre Eiffel em Paris e na Ponte de São Francisco). Claro que a trama é uma bobagem, mas releve! Vale a curtição de se ver (ou rever). / 007 Na Mira dos Assassinos (A View to a Kill, EUA / UK, 1985) Direção: John Glen / Roteiro: Richard Maibaum, Michael G. Wilson / Elenco: Roger Moore, Tanya Roberts, Christopher Walken, Grace Jones, Patrick Macnee, Fiona Fullerton, Desmond Llewelyn, Robert Brown./ Sinopse: James Bond (Roger Moore) é o agente do serviço secreto inglês que tem que enfrentar o industrial Max Zorin (Christopher Walken), um empresário francês que planeja provocar um grande terremoto para destruir o Vale do Silício, na Califórnia, se tornando assim o único a explorar o mercado de tecnologia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Bellevue 1.01 - Pilot

Série: Bellevue 
Episódio: 1.01 - Pilot 
Ano de Produção: 2017
País: Canadá
Estúdio: Canadian Broadcasting Corporation (CBC)
Direção: Adrienne Mitchell
Roteiro: Jane Maggs, Adrienne Mitchell
Elenco: Anna Paquin, Shawn Doyle, Billy MacLellan, Sharon Taylor, Patrick Labbé, Vincent Leclerc
  
Sinopse e comentários:
Uma nova série que assisti recentemente o episódio piloto foi Bellevue. Essa série é estrelada pela atriz Anna Paquin, que interpretava a personagem Sookie Stackhouse de "True Blood". Com o cancelamento daquela série em 2014, ela agora finalmente volta ao mundo das séries nesse novo programa. A estória se passa em uma pequena cidade chamada Bellevue. É lá que mora a policial Annie Ryder (Paquin). O lugar é pacato, remoto e como era de se esperar, sem crimes. Os policiais possuem uma rotina quase tediosa, sem ter muito o que fazer. As coisas porém mudam quando um jovem rapaz desaparece. Ele é um conhecido atleta da escola, um dos melhores jogadores de Hockey. Todos da cidade ficam alarmados com seu sumiço, já que ele era um garoto muito promissor.

O caso então vai parar nas mãos da oficial Annie. Ela então começa a investigar. O interessante é que o adolescente, que parecia ser um modelo para os outros rapazes de sua idade, escondia alguns segredos. Na verdade tudo indicava que ele era gay, gostava de se vestir de mulher escondido, quando estava sozinho e parecia ter intenção de se tornar um travesti. Assim começam a surgir no horizonte indícios de um crime de ódio, de homofobia. Para completar o quadro ainda parece haver muitas ligações com uma velha igreja abandonada na região. Enfim, avaliar uma série apenas por seu episódio piloto pode ser bem precipitado. No quadro geral até gostei, mas senti que o programa não foge muito do padrão mediano de séries policiais da TV que são produzidos lá fora. Nada de muito impactante, nem inovador.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 21 de maio de 2017

O Guerreiro da Paz

Título no Brasil: O Guerreiro da Paz
Título Original: Grey Owl
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate Films
Direção: Richard Attenborough
Roteiro: William Nicholson
Elenco: Pierce Brosnan, Stewart Bick, Vlasta Vrana, Graham Greene, Gordon Masten, Neil Kroetsch

Sinopse:
O filme conta a história real de um cidadão britânico, fascinado pela cultura nativa americana, que decide se mudar para a América do Norte. Uma vez lá ele toma contato com as tribos que vivem na região e começa a combater os interesses de grandes empresas que exploram a madeira das florestas, se tornando assim um dos principais ativistas ecológicos da história, na década de 1920.

Comentários:
Filme historicamente interessante que conta a história verdadeira desse sujeito chamado Archibald Belaney (Pierce Brosnan) que por sua luta em prol dos povos indígenas ganhou o nome nativo de Archie "Coruja Cinzenta". É a tal coisa, muitas vezes percebemos que um fato real se torna extremamente romanceado e idealizado quando sai das páginas da literatura para as telas de cinema. É mais ou menos o que acontece aqui. O protagonista vira quase uma espécie de santo imaculado, tamanhas são suas virtudes passadas ao espectador. Como bem sabemos as coisas nem sempre aconteceram desse jeito tão idealista. Embora seja baseado em fatos reais sabemos muito bem que no mundo real nem sempre as coisas se passam tão perfeitamente como vemos nos filmes. Para os cinéfilos o que chamou a atenção do espectador mesmo foi a presença do ator Pierce Brosnan, pois na época ele era o James Bond. Qualquer filme fora da franquia acabaria mesmo chamando a atenção. Outro ponto de atração era o fato dessa fita ter sido dirigida pelo cineasta Richard Attenborough, de "Gandhi", "Chaplin" e " Um Grito de Liberdade", entre outros. Apesar de tantos nomes bons na ficha técnica o fato inegável porém é que o filme é bem fraquinho, muito embora não seja necessariamente ruim.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Eyewitness 1.01 - Buffalo '07

Série: Eyewitness
Episódio: Buffalo '07
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Studios
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Adi Hasak
Elenco: Julianne Nicholson, Tyler Young, James Paxton, Gil Bellows, Warren Christie, Tattiawna Jones
  
Sinopse e comentários:
Nova série policial que está sendo exibida no Brasil e nos Estados Unidos nos canais Universal e USA. Esse é o episódio piloto. Começa com dois adolescentes andando de bicicleta. Há um certo clima entre eles, uma tensão homossexual. Eles então procuram por um lugar isolado para se beijarem e terminam numa cabana remota, no meio da floresta.

São surpreendidos então pela chegada de um grupo de criminosos que trazem um refém. As coisas saem do controle e assassinatos são cometidos dentro da cabana, com os garotos como testemunhas oculares do crime. Todos os envolvidos são "soldados" do tráfico de heroína e um dos mortos é um importante informante do FBI.

Quando a policial Helen Torrance (Julianne Nicholson) chega na cena do crime ela descobre que agentes do FBI já estão no lugar, numa verdadeira "operação abafa". O que afinal estaria acontecendo ali? Até gostei desse primeiro episódio. Ok, não é nenhuma obra prima, mas pela trama parece que manterá o interesse. Um fato interessante é que a série é estrelada pela atriz Julianne Nicholson, uma mulher madura, algo nem sempre muito fácil de encontrar em enlatados americanos. Nada de gatinhas loirinhas posando de tiras duronas. Enfim, é acompanhar para ver no que tudo isso vai dar.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Os Filmes de Arnold Schwarzenegger - Parte 2

O Pai de Arnold Schwarzenegger participou da II Guerra Mundial. Mais do que isso, como soldado ele foi enviado para a Rússia, naquela que seria a mais desastrosa missão alemã da guerra. Os nazistas enfrentaram o front russo sem preparo adequado. Além do desafio de enfrentar o exército vermelho em sua próprio território, eles não tinham os equipamentos, roupas e provisões necessárias para aquela campanha. Muitos morreram no caminho de volta para a Alemanha.

O pai de Schwarzenegger sobreviveu ao front russo e à jornada de volta. Ele voltou à pé da Rússia, enfrentando todos os desafios. Enfrentou o frio, a fome, a exaustão e é claro, aos soldados inimigos. Ele ensinou ao filho que só ficou vivo porque durante toda a sua vida se dedicou aos esportes, ao trabalho físico, de cuidar do próprio corpo. Isso inspirou o jovem Arnold Schwarzenegger a seguir pelo mesmo caminho. Apaixonado pelo fisiculturismo Arnold se tornou um campeão de diversas competições esportivas. O fato de ter sido inúmeras vezes Mister Universo, o prêmio máximo da categoria, o levou até aos Estados Unidos. As portas do cinema americano então se abriram a ele.

O começo porém não foi muito promissor. Depois de sua estreia nas telas Arnold atuou em filmes menores, sem muita expressão, sempre interpretando algum personagem fortão que o roteiro exigia. Sua melhor oportunidade só surgiu em 1974 ao trabalhar em "O Guarda-Costas" com Jeff Bridges. Dirigido pelo excelente diretor Bob Rafelson finalmente o austríaco teve um papel que chamou a atenção. Ele interpretava um personagem chamado Joe Santo nesse roteiro que explorava a corrupção no mundo das competições de fisiculturismo. Muito provavelmente o próprio Arnold Schwarzenegger conhecia bem esse assunto. De qualquer maneira "Stay Hungry" (seu título original) não chegou a ser um sucesso de bilheteria, porém lhe trouxe exposição e divulgação no cinema, algo que era importante para ele naquela fase ainda inicial de sua carreira.

Depois de mais algumas participações em séries de TV como "The Streets of San Francisco" ele teve outra excelente oportunidade. No set de filmagens dessa última série Arnold acabou se tornando amigo de Michael Douglas, que estrelava o programa. Esse então o indicou ao pai Kirk Douglas que estava produzindo um novo western, esse bem diferente, em tom de comédia e sátira. O filme se chamaria "Cactus Jack". O roteiro era quase um desenho animado filmado. O estilo Cartoon era algo inesperado. Arnold foi escolhido para viver um personagem chamado Handsome Stranger (algo como "o estranho bonitão"). O filme demonstrou que o jovem ator também tinha jeito para o humor, algo que ele iria explorar no futuro em seus filmes, quando já era um dos mais populares astros de Hollywood.

Pablo Aluísio.  

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Triplo X (2002)

A Globo vai exibir hoje no Corujão o primeiro filme da franquia Triplo X, lançado em 2002. É a tal coisa, filmes como esse possuem pouca originalidade. Duvida? Pois então vamos dar uma olhada no roteiro. Tudo é basicamente uma cópia mais turbinada e mais exagerada das antigas estórias de James Bond.

Claro que não há nenhuma sutileza maior no personagem principal chamado Xander Cage. Ao contrário de Bond ele não é um agente secreto charmoso, mas sim um brutamontes que usa de armas de grosso calibre para atingir seus objetivos. O filme também não prima por trazer tramas mais rebuscadas e complexas, pois tudo se resume em cenas e mais cenas de ação, cada uma mais espetacular do que a anterior. Com isso o espectador fica distraído e não faz muito ideia do que está se passando na tela.

Para Vin Diesel o filme foi um presente. Atores de ação como ele dão graças aos céus quando emplacam uma nova franquia. Isso significa filmes em série e cachês milionários. Esse ator obviamente possui outras franquias na sua filmografia, algumas delas bem mais interessantes do que essa, como as do personagem Riddick, por exemplo, mas boas bilheterias e salários astronômicos sempre são bem-vindos. O filme então se resume a basicamente ação. O agente Xander de Diesel não tem nenhuma profundidade e nem é muito trabalhado pelo roteiro. Tudo é apenas pretexto para mais um filme pipoca, pura diversão, na tela. Se é o que você está procurando, aproveite!

Triplo X (xXx, Estados Unidos, 2002) Direção:  Rob Cohen / Roteiro: Rich Wilkes / Elenco: Vin Diesel, Asia Argento, Marton Csokas / Sinopse: Xander Cage (Vin Diesel) é um atleta de esportes radicais que acaba sendo contratado pelo governo para uma missão especial que só alguém com suas habilidades pode cumprir.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Risco Duplo

Título no Brasil: Risco Duplo
Título Original: Double Jeopardy
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: David Weisberg, Douglas Cook
Elenco: Tommy Lee Jones, Ashley Judd, Bruce Campbell, Annabeth Gish, Bruce Greenwood
  
Sinopse:
Libby Parsons (Ashley Judd) acaba entrando em uma situação completamente surreal. Condenada por supostamente ter matado seu marido com um machado, ela é condenada a uma dura sentença. Libby não se lembra de nada, tudo o que consegue se lembrar é de acordar com as roupas cheias de sangue e uma arma na mão. Dentro da cadeia acaba descobrindo que foi vítima de uma grande farsa, envolvendo seu marido e sua melhor amiga. Agora ela tentará provar sua inocência ao mesmo tempo em que lutará para que os verdadeiros assassinos sejam presos.

Comentários:
O roteiro é bom, ideal para o espectador que gosta de tramas conspiratórias, com muitas reviravoltas surpreendentes. A questão é que a tal reviravolta que é um dos pilares da estória soa tão absurda e fantasiosa que isso tira um pouco da credibilidade do filme como um todo. Mesmo assim, com um pouco de boa vontade, o filme funciona como diversão ligeira. É curioso porque o diretor Bruce Beresford sempre foi muito prestigiado em Hollywood por seus excelentes dramas tais como "Conduzindo Miss Daisy" e "Uma Razão para o Amor" e aqui ele optou por algo bem diferente, um thriller policial envolvendo assassinatos e traições. No fim das contas quem salva o filme de sua inegável burocracia é o ator Tommy Lee Jones (sempre ele!). Jones com seu jeito sério, de sujeito durão, com poucos amigos, acaba se destacando justamente por trazer um pouco de credibilidade para um enredo que por si só não seria lá muito convincente. Sua presença e a sempre segura direção de Bruce Beresford se tornam assim os melhores motivos para conferir essa produção. 

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O Cinema de Mel Gibson - Parte 2

O filme "Mad Max" foi uma produção barata que não negava suas origens. O filme foi produzido com apenas 200 mil dólares, tudo feito a toque de caixa. O diretor George Miller porém tinha uma visão inovadora, bastante original. Ele mandou confeccionar um belo cartaz do filme e viajou até os Estados Unidos para lançá-lo no circuito independente. Ele sabia que nesse meio o filme teria maior recepção.

E tudo correu de acordo com o que ele pensava. "Mad Max" passou a ser exibido em um mercado mais underground, que o transformou rapidamente em um cult movie. Além disso quando o filme finalmente foi lançado (em 1979) o mercado de cinema estava prestes a sofrer uma enorme transformação. A indústria se preparava para o lançamento de um novo aparelho doméstico, o videocassete, que iria mudar para sempre os hábitos dos cinéfilos.

"Mad Max" acabou assim se tornando um dos primeiros grandes sucessos de lançamento no recém inaugurado mercado de vídeos domésticos, VHS. Com esse novo meio de comercialização de filmes os produtores encontraram um novo meio de ganhar muito dinheiro com os filmes. O que antes se resumia nas bilheterias de cinema, agora mudava para um novo formato. O consumidor alugava o filme e levava uma fita para assistir em casa, no conforto do lar. Com isso "Mad Max" foi ficando cada vez mais popular. A boa receptividade chamou a atenção para Mel Gibson, o ator que interpretava Max. Embora fosse americano ele morava na Austrália. Seu agente o aconselhou a ir embora, vindo morar em Los Angeles.

Antes de ir embora para a América Mel Gibson rodou um novo filme na Austrália. O filme se chamava "Tim - Anjos de Aço". Esse roteiro deu oportunidade para Gibson mostrar que era muito mais do que apenas um patrulheiro rodoviário em um mundo destruído. Seu personagem se chamava Tim Melville, um rapaz com retardo mental que trabalhava em pequenos serviços, como jardineiro, etc. Interpretar alguém excepcional, com necessidades especiais, foi um grande desafio para Mel que pegou gosto pelo drama e pelos enredos mais edificantes. Claro, ele estava prestes a se tornar um dos mais populares atores do gênero ação nos Estados Unidos, mas ao mesmo tempo sempre iria procurar por desafios como esse em sua futura carreira.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Seis Dias, Sete Noites

Título no Brasil: Seis Dias, Sete Noites
Título Original: Six Days Seven Nights
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Caravan Pictures
Direção: Ivan Reitman
Roteiro: Michael Browning
Elenco: Harrison Ford, Anne Heche, David Schwimmer, Danny Trejo
  
Sinopse:
Quinn Harris (Harrison Ford) é o piloto de um avião bimotor que cai em uma ilha isolada dos mares do sul. Nada poderia ser pior do que sofrer um acidente em uma região tão isolada, mas como diz o ditado nada é tão ruim que não possa piorar. Sua passageira é a antipática Robin Monroe (Anne Heche), uma mulher nervosa e impaciente, editora de moda de uma famosa revista de Nova Iorque. Agora, eles vão precisar esquecer as diferenças em prol de um objetivo comum: sobreviver! Filme indicado ao BMI Film & TV Awards.

Comentários:
Esse é aquele tipo de filme que você chegava na locadora no fim de semana, não encontrava nada do que estava procurando, e acabava locando, levando para casa, por causa dos nomes envolvidos. Se não vejamos: o elenco trazia Harrison Ford (da série Indiana Jones e Star Wars, precisa dizer mais alguma coisa?) e a direção era de Ivan Reitman (de Os Caça-Fantasmas). Claro que ao olhar a sinopse, aquele poster muito fraquinho e o jeitão de comédia sem graça, você acabava torcendo o nariz, mas na falta de algo melhor... E ao chegar em casa, já nos primeiros minutos, descobria que tinha locado uma bomba! Sim, o filme é muito fraco, diria mais, é ruinzão mesmo. Complicado entender como um estúdio investiu 70 milhões de dólares em uma coisa dessas, pior é conseguir compreender como tanta gente boa foi se envolver em algo tão péssimo! E quem disse a Harrison Ford que ele sabia fazer filmes como esse? Escolha ruim, do começo ao fim! O troco veio na bilheteria: o filme foi um dos grandes fracassos comerciais do ano nos Estados Unidos, merecidamente aliás. Enfim, bomba tóxica, fuja!

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Regras do Jogo

Título no Brasil: Regras do Jogo
Título Original: Rules of Engagement
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: William Friedkin
Roteiro: Jim Webb, Stephen Gaghan
Elenco: Tommy Lee Jones, Samuel L. Jackson, Guy Pearce, Ben Kingsley, Bruce Greenwood, Anne Archer
  
Sinopse:
O Coronel Terry Childers (Samuel L. Jackson) é levado para ser julgado em uma corte marcial pela acusação de que teria atirado em civis desarmados durante a tentativa de ocupação da embaixada americana no distante e conturbado Iêmen, no Oriente Médio. O militar se defende da acusação dizendo que tudo foi necessário, diante da gravidade da situação. Filme indicado ao BET Awards na categoria de Melhor Ator (Samuel L. Jackson).

Comentários:
Um filme dirigido pelo cineasta William Friedkin, o mesmo de "O Exorcista". Aqui ele deixou o terror de lado para dirigir um drama de tribunal militar, numa história que foi parcialmente inspirada em fatos reais. O enredo explora um longo flashback mostrando a tentativa de invasão de uma embaixada no Oriente Médio, quando o comandante militar encarregado da segurança do corpo diplomático americano decidiu abrir fogo contra manifestantes civis que tentavam invadir o lugar. Levado à corte marcial se impõe o caso: teria ele cometido algum crime ou apenas se defendeu de uma multidão em delírio? O elenco é bem acima da média, contando não apenas com Samuel L. Jackson (naquela que provavelmente foi sua melhor atuação na carreira), mas também com um inspirado Tommy Lee Jones interpretando um coronel linha dura chamado Hayes 'Hodge' Hodges. Esse tipo de interpretação aliás sempre foi especialidade do durão com cara de poucos amigos Jones. No saldo geral é um filme muito bom, muito coeso, com roteiro extremamente bem escrito. Mesmo que você não goste muito de filmes de tribunais, certamente vai acabar apreciando essa produção por causa de seus méritos cinematográficos. Esse filme é certamente um item para ter em sua coleção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Vivendo no Limite

Título no Brasil: Vivendo no Limite
Título Original: Bringing Out the Dead
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul Schrader
Elenco: Nicolas Cage, Patricia Arquette, John Goodman, Ving Rhames, Tom Sizemore, Marc Anthony
  
Sinopse:
Baseado no livro escrito por Joe Connelly, o filme conta a história de Frank Pierce (Nicolas Cage), um paramédico que começa a perder sua sanidade durante intensos e prolongados plantões noturnos trabalhando em uma ambulância pelas ruas mais pobres de Nova Iorque. Em pouco tempo começa a ter alucinações com pacientes que tentou salvar, mas que morreram sob seus cuidados. Filme indicado ao Florida Film Critics Circle Awards.

Comentários:
Esse é um dos filmes mais diferentes de Martin Scorsese. Durante anos o diretor teve problemas com cocaína, assim ele resolveu imprimir um ritmo alucinado ao seu filme, com um roteiro completamente insano, mostrando a rotina de um paramédico literalmente vivendo no limite (em caso raro de título nacional bem adequado). Hoje em dia o filme é pouco lembrado, mesmo para os admiradores do cinema de Scorsese. O filme fez pouco sucesso, para o estúdio foi um fracasso de bilheteria, mas mesmo assim teve boa recepção por parte da crítica. Certamente não é dos mais brilhantes trabalhos do cineasta, que aqui procurou por um roteiro mais convencional, embora inove na forma como ele mostra a estória do protagonista de uma maneira em geral. Nicolas Cage está bem no papel, principalmente por explorar um personagem na tênue linha entre a loucura e a sanidade. Com os olhos esbugalhadas, cara de quem não está entendendo muito o que está acontecendo ao redor, ele conseguiu atuar muito bem. No geral é um filme na média, o que se tratando de Martin Scorsese acaba sendo muito pouco.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 25 de abril de 2017

O Cinema de Mel Gibson - Parte 1

A carreira de Mel Gibson começou muito modesta, ainda nos tempos em que ele morava na Austrália. Embora fosse americano de origem (o ator nasceu em Nova Iorque no ano de 1956), Gibson foi ainda muito jovem morar na distante Austrália por causa dos pais. Lá ele começou a se interessar por atuação, muito embora ainda fosse jovem demais para decidir o que faria da vida no futuro. Seu primeiro trabalho foi na televisão, em uma participação mínima na série "The Sullivans". Era o ano de 1976, Gibson com apenas 20 anos de idade curtiu a experiência, mas percebeu que o mundo da televisão não era para ele.

Seu primeiro filme para o cinema foi "O Último Verão", uma fita sobre quatro amigos que resolvem viajar pela Austrália em busca da onda perfeita. Os personagens eram surfistas (inclusive Gibson) e o roteiro era, para ser bem educado, completamente primário. Um filme que foi renegado pelo próprio Gibson anos depois. Durante uma entrevista o ator, perguntado sobre seu primeiro filme, foi enfático, descartando a produção, a chamando de ridícula. Realmente o título original era bem adequado, "Summer City", pois esse era inevitavelmente um filme vazio de verão, com surf, praias, garotas e nada mais. Não era mesmo nenhuma obra cinematográfica mais relevante. Se não fosse pela participação de Mel Gibson no elenco esse filme já teria sido esquecido completamente.

Depois de "O Último Verão" Gibson faria mais um filme, dessa vez um telefilme para ser exibido exclusivamente no canal ABC da Austrália. O filme se chamava "The Hero" (até hoje sem nome oficial no Brasil). Era uma produção muito fraca, quase um documentário, sobre a vida de atores na Austrália. Foi tão ruim e decepcionante que Gibson chegou ao ponto de pensar em abandonar seus sonhos de se tornar um ator, de viver da arte de atuar.

O que salvou a carreira de Mel Gibson foi o fato do diretor George Miller se interessar por ele após assistir a "O Último Verão". O cineasta acreditou que havia finalmente encontrado o tipo ideal para seu novo projeto, um filme com roteiro insano mostrando um patrulheiro rodoviário tentando colocar ordem e justiça em um mundo pós-apocalíptico. Era uma proposta bem ousada, a ser filmada nas estradas mais desertas e inóspitas do interior australiano. Miller queria mostrar um mundo destruído, desolado e abandonado, cuja a lei deveria ser imposta com violência e insanidade. O nome do filme seria "Mad Max" (Louco Max) e poucos sabiam, mas esse seria um marco absoluto na história do cinema mundial. Mel Gibson foi então convidado para um teste, sem levar nada muito à sério. Mal sabia ele o que estava por vir...

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 22 de abril de 2017

Mickey Olhos Azuis

Título no Brasil: Mickey Olhos Azuis
Título Original: Mickey Blue Eyes
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Castle Rock Entertainment
Direção: Kelly Makin
Roteiro: Adam Scheinman, Robert Kuhn
Elenco: Hugh Grant, James Caan, Jeanne Tripplehorn, Burt Young, James Fox, Gerry Becker
  
Sinopse:
Michael Felgate (Hugh Grant) é um pacato funcionário de uma loja de leilões que vê seu mundo ficar de ponta cabeça após se apaixonar por Gina Vitale (Jeanne Tripplehorn), a filha de um chefão da máfia italiana chamado Frank Vitale (James Caan). Agora ele terá que lidar com a delicada situação, lutando por aquela que ele pensa ser o amor de sua vida.

Comentários:
Comédia simpática que brinca com o mundo da máfia italiana. Obviamente o roteiro foi escrito especialmente para ser estrelado por Hugh Grant. Ao longo da carreira ele se especializou em interpretar ingleses tímidos e sofisticados que eram colocados em situações embaraçosas, constrangedoras. O roteiro desse filme segue essa mesma fórmula. De um lado o estilo mais refinado de Grant, aqui como um leiloeiro bem educado, que só lida em seu dia a dia com pessoas extremamente educadas e elegantes, do outro o modo de ser rude e muitas vezes violento do mafioso Frank Vitale (James Caan), um sujeito cujo caráter foi firmado nas ruas, na violência do cotidiano de uma grande cidade americana infestada de gangsters por todos os becos. E o filme é basicamente isso. Diverte e tem cenas até bem engraçadas, como a do restaurante chinês. Especialmente indicado para o fã clube de Hugh Grant, que hoje em dia anda bem sumido das telas de cinema (pois sua última aparição digna de nota foi em "O Agente da U.N.C.L.E.").

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Instinto

Título no Brasil: Instinto
Título Original: Instinct
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Spyglass Entertainment, Touchstone Pictures
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Gerald Di Pego
Elenco: Anthony Hopkins, Cuba Gooding Jr., Donald Sutherland
  
Sinopse:
Após dois anos perdido na selva de Ruanda, na África, o pesquisador Dr. Ethan Powell (Anthony Hopkins) é finalmente encontrado. Ele não parece bem psicologicamente falando. Ao que tudo indica ele perdeu sua capacidade de se comunicar, agindo como um animal selvagem. Um caso que é passado para o psiquiatra Dr. Theo Calder (Cuba Gooding Jr.), que começa a procurar por uma resposta médica para a estranha condição de seu paciente. Estaria realmente louco ou tudo seria fruto de algum trauma psicológico que sofreu? 

Comentários:
Embora considere Anthony Hopkins um dos melhores atores de sua geração, nunca consegui gostar desse filme. Na verdade considero essa produção a mais equivocada de toda a sua carreira. É um filme com roteiro muito ruim, história sem pé e nem cabeça... e o pior de tudo: uma canhestra interpretação do próprio Hopkins. É muito complicado entender como um ator tão sofisticado e elegante como ele aceitou interpretar um personagem basicamente físico, sem nenhuma nuance maior em termos psicológicos. Tudo é muito mal desenvolvido e nem o bom elenco de apoio (contando com, entre outros, Donald Sutherland) consegue salvar o filme do desastre completo. Eu me recordo que quando aluguei o filme (ainda nos tempos das locadoras de vídeo VHS) não pude deixar de ficar muito surpreso pela má qualidade do filme como um todo. É algo obsoleto, sem razão de ser. Inegavelmente é um passo em falso na brilhante filmografia de Anthony Hopkins! Infelizmente ninguém é perfeito, nem os grandes atores da história do cinema. Só podemos lamentar no final das contas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Os Filmes de Arnold Schwarzenegger - Parte 1

Arnold Alois Schwarzenegger nasceu em uma pequena aldeia da Áustria chamada Thal. Nada poderia indicar que ele um dia se tornaria astro de filmes de ação em Hollywood. Seu pai era um guarda florestal e Arnold, seu irmão e sua mãe, cresceram meio isolados no mesmo lugar onde seu pai trabalhava, dentro de uma reserva florestal. Foi de certa forma a sorte grande da família Schwarzenegger pois no pós-guerra era difícil ter um emprego naquela região.

A vida naquele local foi muito boa em termos de saúde para o jovem Arnold. Viver na natureza incentivou os dois irmãos a crescerem fazendo exercícios físicos. Desde cedo Arnold e o irmão seguiam seu pai, floresta adentro com machados. Longas caminhadas, exercícios regulares e muita atividade física moldaram seu corpo desde os primeiros anos. 

O halterofilismo assim se tornou algo natural para Arnold Schwarzenegger. Ele logo se inscreveu em campeonatos e começou a colecionar títulos. O corpo esculpido em academias foi ficando cada vez mais definido até que ele se tornasse praticamente imbatível nos concursos de que participou na Europa e Estados Unidos. Esse mesmo físico inigualável se tornaria sua porta de entrada para o cinema. Os produtores estavam em busca de um sujeito forte, com corpo musculoso, para interpretar Hércules em um filme chamado "Hércules em Nova Iorque". 

Era o ano de 1970 e Arnold Schwarzenegger assinaria seu primeiro contrato para um filme. Parecia algo despretensioso, nada promissor. Naquela época o halterofilista sequer imaginava ter uma carreira dentro do cinema americano. Era mais uma oportunidade de ganhar um dinheiro de forma rápida e fácil. Dirigido por Arthur Allan Seidelman, a fita era uma espécie de comédia com pitadas de fantasia, realizada de forma familiar, para todos os públicos. Schwarzenegger interpretava Hércules, o herói mitológico que era enviado para a Terra. Uma vez em nosso mundo ele acabava encontrando o amor e uma promissora carreira no bodybuilder business, o mundo das academias e competições esportivas de halterofilismo. Desnecessário dizer que o filme era uma bomba completa, porém serviu como exposição para Schwarzenegger. Outros produtores poderiam assistir ao filme e quem sabe se interessar por ele. Qualquer trabalho para aquele austríaco era muito bem-vindo naqueles seus primeiros anos nos Estados Unidos.

Pablo Aluísio.