sábado, 22 de abril de 2017

Mickey Olhos Azuis

Título no Brasil: Mickey Olhos Azuis
Título Original: Mickey Blue Eyes
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Castle Rock Entertainment
Direção: Kelly Makin
Roteiro: Adam Scheinman, Robert Kuhn
Elenco: Hugh Grant, James Caan, Jeanne Tripplehorn, Burt Young, James Fox, Gerry Becker
  
Sinopse:
Michael Felgate (Hugh Grant) é um pacato funcionário de uma loja de leilões que vê seu mundo ficar de ponta cabeça após se apaixonar por Gina Vitale (Jeanne Tripplehorn), a filha de um chefão da máfia italiana chamado Frank Vitale (James Caan). Agora ele terá que lidar com a delicada situação, lutando por aquela que ele pensa ser o amor de sua vida.

Comentários:
Comédia simpática que brinca com o mundo da máfia italiana. Obviamente o roteiro foi escrito especialmente para ser estrelado por Hugh Grant. Ao longo da carreira ele se especializou em interpretar ingleses tímidos e sofisticados que eram colocados em situações embaraçosas, constrangedoras. O roteiro desse filme segue essa mesma fórmula. De um lado o estilo mais refinado de Grant, aqui como um leiloeiro bem educado, que só lida em seu dia a dia com pessoas extremamente educadas e elegantes, do outro o modo de ser rude e muitas vezes violento do mafioso Frank Vitale (James Caan), um sujeito cujo caráter foi firmado nas ruas, na violência do cotidiano de uma grande cidade americana infestada de gangsters por todos os becos. E o filme é basicamente isso. Diverte e tem cenas até bem engraçadas, como a do restaurante chinês. Especialmente indicado para o fã clube de Hugh Grant, que hoje em dia anda bem sumido das telas de cinema (pois sua última aparição digna de nota foi em "O Agente da U.N.C.L.E.").

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Instinto

Título no Brasil: Instinto
Título Original: Instinct
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Spyglass Entertainment, Touchstone Pictures
Direção: Jon Turteltaub
Roteiro: Gerald Di Pego
Elenco: Anthony Hopkins, Cuba Gooding Jr., Donald Sutherland
  
Sinopse:
Após dois anos perdido na selva de Ruanda, na África, o pesquisador Dr. Ethan Powell (Anthony Hopkins) é finalmente encontrado. Ele não parece bem psicologicamente falando. Ao que tudo indica ele perdeu sua capacidade de se comunicar, agindo como um animal selvagem. Um caso que é passado para o psiquiatra Dr. Theo Calder (Cuba Gooding Jr.), que começa a procurar por uma resposta médica para a estranha condição de seu paciente. Estaria realmente louco ou tudo seria fruto de algum trauma psicológico que sofreu? 

Comentários:
Embora considere Anthony Hopkins um dos melhores atores de sua geração, nunca consegui gostar desse filme. Na verdade considero essa produção a mais equivocada de toda a sua carreira. É um filme com roteiro muito ruim, história sem pé e nem cabeça... e o pior de tudo: uma canhestra interpretação do próprio Hopkins. É muito complicado entender como um ator tão sofisticado e elegante como ele aceitou interpretar um personagem basicamente físico, sem nenhuma nuance maior em termos psicológicos. Tudo é muito mal desenvolvido e nem o bom elenco de apoio (contando com, entre outros, Donald Sutherland) consegue salvar o filme do desastre completo. Eu me recordo que quando aluguei o filme (ainda nos tempos das locadoras de vídeo VHS) não pude deixar de ficar muito surpreso pela má qualidade do filme como um todo. É algo obsoleto, sem razão de ser. Inegavelmente é um passo em falso na brilhante filmografia de Anthony Hopkins! Infelizmente ninguém é perfeito, nem os grandes atores da história do cinema. Só podemos lamentar no final das contas.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Os Filmes de Arnold Schwarzenegger - Parte 1

Arnold Alois Schwarzenegger nasceu em uma pequena aldeia da Áustria chamada Thal. Nada poderia indicar que ele um dia se tornaria astro de filmes de ação em Hollywood. Seu pai era um guarda florestal e Arnold, seu irmão e sua mãe, cresceram meio isolados no mesmo lugar onde seu pai trabalhava, dentro de uma reserva florestal. Foi de certa forma a sorte grande da família Schwarzenegger pois no pós-guerra era difícil ter um emprego naquela região.

A vida naquele local foi muito boa em termos de saúde para o jovem Arnold. Viver na natureza incentivou os dois irmãos a crescerem fazendo exercícios físicos. Desde cedo Arnold e o irmão seguiam seu pai, floresta adentro com machados. Longas caminhadas, exercícios regulares e muita atividade física moldaram seu corpo desde os primeiros anos. 

O halterofilismo assim se tornou algo natural para Arnold Schwarzenegger. Ele logo se inscreveu em campeonatos e começou a colecionar títulos. O corpo esculpido em academias foi ficando cada vez mais definido até que ele se tornasse praticamente imbatível nos concursos de que participou na Europa e Estados Unidos. Esse mesmo físico inigualável se tornaria sua porta de entrada para o cinema. Os produtores estavam em busca de um sujeito forte, com corpo musculoso, para interpretar Hércules em um filme chamado "Hércules em Nova Iorque". 

Era o ano de 1970 e Arnold Schwarzenegger assinaria seu primeiro contrato para um filme. Parecia algo despretensioso, nada promissor. Naquela época o halterofilista sequer imaginava ter uma carreira dentro do cinema americano. Era mais uma oportunidade de ganhar um dinheiro de forma rápida e fácil. Dirigido por Arthur Allan Seidelman, a fita era uma espécie de comédia com pitadas de fantasia, realizada de forma familiar, para todos os públicos. Schwarzenegger interpretava Hércules, o herói mitológico que era enviado para a Terra. Uma vez em nosso mundo ele acabava encontrando o amor e uma promissora carreira no bodybuilder business, o mundo das academias e competições esportivas de halterofilismo. Desnecessário dizer que o filme era uma bomba completa, porém serviu como exposição para Schwarzenegger. Outros produtores poderiam assistir ao filme e quem sabe se interessar por ele. Qualquer trabalho para aquele austríaco era muito bem-vindo naqueles seus primeiros anos nos Estados Unidos.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Destinos Cruzados

Título no Brasil: Destinos Cruzados
Título Original: Random Hearts
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Sydney Pollack
Roteiro: Darryl Ponicsan
Elenco: Harrison Ford, Kristin Scott Thomas, Charles S. Dutton, Sydney Pollack, Peter Coyote, Richard Jenkins
  
Sinopse:
Após a morte de sua esposa em um acidente de avião, o policial William Van Den Broeck (Harrison Ford) resolve investigar mais a fundo. Entre outras coisas descobre que ela entrou no avião usando um nome falso, se fazendo passar por esposa de um advogado chamado Cullen Chandler (Peter Coyote). Ele, por sua vez, já era um homem casado, com Kay Chandler (Kristin Scott Thomas), candidata ao senado dos Estados Unidos. Ao seguir em frente, Broeck descobre que pode ter havido uma conspiração política envolvendo o acidente fatal.

Comentários:
Um bom filme, baseado no romance policial escrito por Warren Adler. Os livros desse autor seguem basicamente uma fórmula, onde um acontecimento que parece ser banal revela-se na verdade algo muito mais sinistro e complexo. Muitos podem pensar que é mais um daqueles filmes burocráticos que Harrison Ford rodou em sua longa filmografia. De certa maneira há um fundo de verdade nessa visão, principalmente por causa do estilo mais quadrado e convencional de se contar esse enredo. O filme porém se salva do lugar comum por causa da direção do mestre Sydney Pollack. Certamente essa fita passa longe de ser um dos seus melhores trabalhos no cinema, principalmente pelo fato de ser rotineiro, porém ele conseguiu imprimir uma bela edição e uma bonita fotografia ao filme como um todo, além de também aproveitar para atuar um pouquinho, algo raro em sua carreira. A trama, que segue interessante até o fim, também compensa o tempo que você levará para assistir a esse filme. Enfim, entre mortos e feridos até que o saldo é bem positivo. Uma diversão inteligente, acima de tudo.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Pela Vida de um Amigo

Título no Brasil: Pela Vida de um Amigo
Título Original: Return to Paradise
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Polygram Filmed Entertainment
Direção: Joseph Ruben
Roteiro: Pierre Jolivet, Olivier Schatzky
Elenco: Vince Vaughn, Anne Heche, Joaquin Phoenix, Vera Farmiga, Jada Pinkett Smith, David Conrad
  
Sinopse:
Lewis McBride (Joaquin Phoenix) é um americano que após passar férias na Malásia, acaba sendo acusado de tráfico de drogas. Preso e julgado, ele é condenado à morte em oito dias. Sua única saída é contar com o apoio de amigos que estavam com ele na ocasião e que poderiam assumir também suas culpas pelas drogas apreendidas, só que isso vai parecendo cada dia mais improvável. Filme indicado ao Csapnivalo Awards nas categorias de Melhor Atriz (Anne Heche) e Melhor Ator (Joaquin Phoenix).

Comentários:
Traficar drogas ou pelo menos levar algum tipo de droga em suas malas para certos países do mundo pode ser uma péssima ideia. É justamente isso que o roteiro desse filme explora, a prisão e condenação à morte de um americano em um país da Ásia, a Malásia. Em lugares como esse não existe escapatória - a morte, caso seja preso, é praticamente certa! Recentemente inclusive tivemos vários casos de jovens brasileiros que foram pegos justamente nessa situação, tentando entrar em países da Ásia - como as Filipinas - carregando drogas em suas bagagens. Há uma brasileira atualmente no corredor da morte por lá e outro brasileiro foi executado há mais ou menos dois anos. Dessa forma o tema do roteiro, apesar dos anos passados, tem se mostrado bem atual. É um filme com uma história triste. Um americano condenado à morte, precisando da ajuda de "amigos" (entre aspas mesmo), para que eles assumam parte da culpa, evitando assim que ele seja morto por enforcamento - um método pouco humanitário de ser executado na pena capital. O filme de uma forma em geral é bom, valorizado por esse interessante elenco, onde todos os atores ainda estavam na fase inicial da carreira. Um bando de gente talentosa que iria trilhar caminhos diferentes na carreira, mas que aqui, unidos, acabaram fazendo um belo trabalho de atuação. Por essas e outros recomendo bastante essa fita bem acima da média, capaz de mostrar o realismo brutal de uma condenação à morte, algo que é raramente mostrado pelo cinema americano.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Os Filmes de Stallone - Parte 3

Os anos 70 chegaram ao final com mais um grande sucesso de bilheteria na carreira de Sylvester Stallone. O filme "Rocky II" foi um enorme êxito comercial. Quando Stallone anunciou sua sequência a crítica em geral caiu em cima dele, afirmando que era uma tolice fazer uma continuação em cima de um filme como "Rocky, Um Lutador", cuja história já havia se fechado bem em si mesmo. Mal eles sabiam o que Stallone planejava. Ele queria criar uma longa série de filmes com o seu personagem. Embora não tivesse divulgado isso, o fato é que Sly já tinha pronto os roteiros de duas outras continuações, se essa fosse bem sucedida.

Dito e feito. "Rocky II: A Revanche" lotou os cinemas. Stallone assumiu completamente o controle do filme, dirigindo e escrevendo o roteiro. As negociações com o estúdio foram tensas pois os executivos não queriam dar tanto controle assim ao ator. Stallone porém era inflexível, ou ele teria controle sobre tudo ou nada feito. E como sem ele não haveria filme a companhia acabou cedendo. O elenco e a equipe técnica foram basicamente os mesmos do filme anterior. Stallone havia criado um vínculo com todos eles. Um fato curioso de seu roteiro é que Stallone não queria transformar o boxeador  Apollo Creed (Carl Weathers) em um vilão da série, mas apenas em um rival dos ringues. Por isso começou a desenvolver melhor o personagem, criando um lado mais humano nele.

Depois do sucesso Stallone pode finalmente respirar aliviado. Afinal ele tinha uma série de filmes de sucesso e seu prestígio comercial em Hollywood seguia firme. O que o ator não sabia é que ele estava prestes a entrar na melhor década de sua carreira. Os anos 80 iriam consagrar Stallone de uma maneira jamais vista. Em pouco tempo ele se tornaria o ator mais bem pago da indústria, batendo recordes de cachês milionários pelos filmes que faria nos anos seguintes.

Stallone passou o ano de 1980 em branco, sem lançar filmes, apenas colhendo as glórias e o sucesso de Rocky II. Em 1981 ele finalmente divulgou sua volta às telas. Ele iria surgir no filme policial "Os Falcões da Noite". Embora não fosse escrito por Stallone e nem dirigido por ele, esse policial de ação foi um percursor das fitas de grande sucesso que ele iria estrelar em poucos anos. Esteticamente essa produção está mais para os anos 70, com seu estilo mais cru e realista. Stallone interpreta um tira chamado Deke DaSilva que enfrenta um ótimo vilão, um psicopata interpretado pelo ótimo ator Rutger Hauer. Até mesmo Billy Dee Williams, de Star Wars, também estava no elenco. Stallone, com barba e cara de mau, usava a violência para prender o criminoso de forma pouco usual para a época. Era um prenúncio do que iria vir em sua filmografia.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Intruder A-6 - Um Vôo Para O Inferno

Título no Brasil: Intruder A-6 - Um Vôo Para O Inferno
Título Original: Flight of the Intruder
Ano de Produção: 1991
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: John Milius
Roteiro: Stephen Coonts, Robert Dillon
Elenco: Danny Glover, Willem Dafoe, Brad Johnson, Rosanna Arquette, Tom Sizemore, J. Kenneth Campbell
  
Sinopse:
Em plena guerra do Vietnã, um grupo de pilotos da Marinha americana, usando aviões de combate, bombardeiros A-6 Intruder, são designados para destruir um depósito de armas em Hanoi, atrás das linhas inimigas. A missão, não autorizada oficialmente, se torna uma das mais perigosas e violentas de todo o conflito. Roteiro baseado no romance de guerra escrito por Stephen Coonts.

Comentários:
Na segunda metade dos anos 80 tivemos um ciclo de filmes sobre a Guerra do Vietnã. Esse "Intruder A-6 - Um Vôo Para O Inferno" é um herdeiro, já um pouco tardio, dessa fase do cinema americano. Porém ao contrário de filmes como "Platoon" ou "Nascido Para Matar", essa produção não teve qualquer pretensão de revisitar essa guerra de forma mais dramática ou profunda. Na verdade esse filme foi por outro lado, valorizando a ação e as cenas de combate, acima de tudo. Com uma boa dupla de protagonistas, interpretados por Danny Glover da franquia de sucesso "Máquina Mortífera" e Willem Dafoe, do próprio "Platoon", o filme tinha uma levada bem ao estilo das produções de ação de guerra dos anos 70. Nada de dramas, nada de tentar entender as razões da guerra ou porque ela se tornou um dos maiores fracassos militares da história dos Estados Unidos. Nada disso, apenas bombas, explosões, etc. Nesse ponto o filme até que funciona muito bem e logo se torna uma boa diversão. Por fim uma dica importante: fique de olho na grade de programação do Paramount Channel pois " Flight of the Intruder" tem sido constantemente reprisado por esse canal a cabo. É uma boa opção para quem gosta desse tipo de produção.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.
 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Obsessão Fatal

Título no Brasil: Obsessão Fatal
Título Original: Unlawful Entry
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Largo Entertainment
Direção: Jonathan Kaplan
Roteiro: George Putnam, John Katchmer
Elenco: Kurt Russell, Ray Liotta, Madeleine Stowe, Roger E. Mosley, Ken Lerner, Deborah Offner
  
Sinopse:
Após uma invasão em sua casa, Michael Carr (Kurt Russell) resolve chamar a polícia. Quem atende o chamado é o oficial Pete Davis (Ray Liotta). Ele aparenta ser um tira normal, porém logo começa a apresentar um estranho comportamento, ficando obcecado pela esposa de Michael, a bela Karen (Madeleine Stowe). Não demora muito e o policial que devia protegê-los começa a se tornar uma perigosa ameaça ao casal. Filme indicado ao MTV Movie Awards na categoria "Melhor Vilão" (Ray Liotta).

Comentários:
Bom filme policial, na realidade um thriller de suspense, que tem um roteiro muito bem escrito, deixando o espectador sempre apreensivo pelos próximos acontecimentos. Kurt Russell é um dos atores mais bacanas de Hollywood, muito carismático consegue segurar qualquer filme, mesmo os mais fracos. Aqui ele deixa a imagem de um verdadeiro "action hero" que caracterizou muitos de seus filmes, para interpretar um pai de família, meio tiozinho, que precisa enfrentar um policial com delírios de obsessão e psicopatia. E então chegamos no grande atrativo de "Unlawful Entry". Em termos de elenco esse filme não se sobressai por causa do carisma de Kurt Russell ou da sensualidade de Madeleine Stowe, mas sim pela visceral interpretação de Ray Liotta como o tira psicótico, completamente fora de controle. Esse aliás sempre foi o perfil de personagem adequado para ele, um sujeito com um sorriso doentio, pronto e disposto a fazer as maiores barbaridades em nome de uma obsessão que não controla. Uma atitude nada adequada ao lema da polícia americana de "proteger e servir" o cidadão! Ray aliás é de longe a melhor justificativa para assistir a esse bom filme, que ultimamente tem sido pouco lembrado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

 

terça-feira, 28 de março de 2017

Um Plano Simples

Título no Brasil: Um Plano Simples
Título Original: A Simple Plan
Ano de Produção: 1998
País: Inglaterra, Alemanha
Estúdio:  British Broadcasting Corporation (BBC)
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Scott B. Smith
Elenco: Bill Paxton, Billy Bob Thornton, Bridget Fonda, Becky Ann Baker, Gary Cole, Brent Briscoe
  
Sinopse:
Hank Mitchell (Bill Paxton), Jacob Mitchell (Billy Bob Thornton) e Lou (Brent Briscoe) são três caras comuns que por mero acaso descobrem uma mala cheia de dinheiro dentro de um avião acidentado. Sabendo os riscos, afinal são quatro milhões de dólares, eles decidem pegar a grana, mas fazem um pacto de não gastá-la nos próximos meses, justamente para não levantar suspeitas. Inicialmente tudo corre bem, até que um deles começa a gastar sem limites, atraindo atenção para o trio.

Comentários:
No final dos anos 90 o diretor Sam Raimi decidiu aceitar o convite para rodar um filme na Inglaterra. O resultado foi esse "Um Plano Simples" que acabou surpreendendo a todos pelo sucesso de público e crítica. O filme chegou a ser indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Billy Bob Thornton) e Melhor Roteiro Adaptado (Scott B. Smith). Um filme pequeno como esse, com orçamento modesto, conseguir arrancar duas indicações ao Oscar, realmente pegou muita gente de surpresa. A sua força obviamente vem do bom roteiro, da trama inteligente, que mantém a atenção do espectador. Provavelmente seja o filme mais diferente de Sam Raimi. Acostumado a dirigir filmes de terror (como "Uma Noite Alucinante" e "A Morte do Demônio") ou de super-heróis (como em "Homem-Aranha" e "Darkman - Vingança Sem Rosto"), o diretor optou mesmo por algo sui generis, nada parecido com qualquer outro filme de sua filmografia. Assim deixamos a dica desse bom filme. Roteiro esperto e sagaz, realmente faz valer o tempo da exibição.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 26 de março de 2017

O Desafio da Lei

Título no Brasil: O Desafio da Lei
Título Original: Swing Vote
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia TriStar Pictures
Direção: David Anspaugh
Roteiro: Ronald Bass, Jane Rusconi
Elenco: Andy Garcia, Harry Belafonte, Robert Prosky, James Whitmore, Bob Balaban
  
Sinopse:
Andy Garcia interpreta um jovem juiz chamado Joseph Michael Kirkland. Ele é escolhido para compor a Suprema Corte dos Estados Unidos após a aposentadoria de um magistrado mais velho. Sua entrada no tribunal não poderia ser mais delicada. Ele precisará dar o voto final e decisivo numa questão polêmica, envolvendo aborto. Não demora e o novo juiz começa a ser pressionado por todos os lados, tanto por conservadores, como por liberais a favor da legalização do aborto. Qual afinal será sua decisão?

Comentários:
Um bom filme, produzido por Jerry Bruckheimer, que aqui deixou as explosões de seus filmes no cinema de lado, para investir em um roteiro mais adulto, socialmente importante. O magistrado interpretado por Garcia é um homem de princípios que se vê dando o voto de Minerva em uma causa que simplesmente parou a nação. Estaria ele a favor da legalização do aborto no país ou não? A pergunta fica no ar até praticamente a última cena, uma vez que o roteiro se desenvolve justamente em cima dessa questão. O filme não é tão bem produzido como seria de esperar porque pouco antes do começo das filmagens o produtor Bruckheimer decidiu que iria levar o filme para a TV e não para o cinema. No Brasil o filme não chegou a ser exibido em nossa televisão nos anos 90, sendo lançado diretamente no mercado de vídeo VHS. Como já escrevi é um bom filme, principalmente por causa de seu tema, porém para aqueles que não tenham muito interesse na legalização ou não do aborto ele pode sim se tornar um pouco cansativo. Mesmo assim vale, pela importância do tema, a indicação.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 24 de março de 2017

A Filha do General

Título no Brasil: A Filha do General
Título Original: The General's Daughter
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Simon West
Roteiro: Christopher Bertolini
Elenco: John Travolta, Madeleine Stowe, Timothy Hutton, James Woods, James Cromwell
  
Sinopse:
Após a morte misteriosa de uma capitã, filha de um figurão militar, o tenente Paul Brenner (John Travolta) é designado por seu comandante para descobrir a autoria do crime e as razões do assassinato. Ao lado da advogada Sara Sunhill (Madeleine Stowe), o tenente vai desvendando toda a complexa rede que envolve a morte da jovem militar. O que ele acaba descobrindo é algo muito mais surpreendente do que ele poderia inicialmente supor.

Comentários:
Ao longo da carreira o ator John Travolta participou de alguns filmes marcantes, outros nem tanto, verdadeiras bombas. É um ator irregular. Esse "A Filha do General" fica no meio termo pois até teve um certo sucesso, sendo bem sucedido comercialmente no mercado de vídeo VHS - já que nos cinemas apresentou uma bilheteria modesta. O que vale aqui, o seu principal mérito, vem do roteiro, mais claramente falando, de sua trama. É aquele tipo de história que começa levando o espectador para um lado, depois para outro, tudo para no final surgir aquela grande reviravolta que ninguém esperava! Em alguns momentos esse tipo de maniqueísmo do roteirista fica um pouco cansativo, mas se você conseguir superar isso pode vir a se divertir. O diretor inglês Simon West é especialista nesse tipo de filme pois já dirigiu produções como "Con Air - A Rota da Fuga", "Lara Croft: Tomb Raider" e "Os Mercenários 2". É considerado um cineasta muito bom no gênero ação. Por isso deixamos, mesmo com certas reservas, a dica desse bom filme estrelado por John Travolta. Vale uma espiada.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 21 de março de 2017

Punho de Ferro

Título no Brasil: Punho de Ferro
Título Original: Iron Fist
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Television
Direção: John Dahl, Farren Blackburn
Roteiro: Gil Kane, Roy Thomas, Scott Buck
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Jessica Stroup, Tom Pelphrey, David Wenham, Wai Ching Ho
  
Sinopse:
Após ser dado como morto, desaparecido por anos, Danny Rand (Finn Jones) volta para Nova Iorque, para descobrir o que aconteceu com a empresa que um dia pertenceu ao seu pai. Ele reencontra pessoas de seu passado, mas todas elas se recusam a acreditar que ele é de fato o garoto Danny, que supostamente teria morrido de um acidente aéreo, junto de seus pais, há muitos anos! Agora Danny precisará provar sua verdadeira identidade, ao mesmo tempo em que tenta sobreviver aos atentados de todos aqueles que desejam sua morte.

Comentários:
Nova série da Marvel que está sendo exibida pelo Netflix. É a tal coisa, nunca tivemos uma onda tão grande de adaptação dos quadrinhos como agora. Primeiro no cinema e agora no mundo das séries. Esse "Iron Fist" na verdade faz parte de um pacote maior de adaptações de personagens secundários do universo Marvel. São heróis que muito provavelmente não teriam a popularidade necessária para estrelar uma super produção de Hollywood, assim eles foram parar nas séries. "Punho de Ferro" foi criado para aproveitar a onda de filmes de artes marciais durante os anos 60. Sua influência vem dos filmes com o mito Bruce Lee. Embora seja um personagem com longa bagagem, ele nunca foi muito popular, nem nos Estados Unidos. É um daqueles heróis criados pela Marvel que ficaram pelo meio do caminho. Ele chegou a ter sua própria revista, que depois foi cancelada. Nessa série tenta-se contar as origens do herói. Danny Rand (Finn Jones) passou anos no oriente, onde se tornou um mestre em artes marciais. De volta aos Estados Unidos ele é tratado quase como um morador de rua, pois se veste de forma simples, com roupas surradas, sem calçados. Ele é o verdadeiro herdeiro de uma grande corporação, por isso há muitos interesses em eliminá-lo, já que há muitos anos ele foi dado como morto. Os fãs de quadrinhos andam reclamando dessa adaptação (o que não é novidade pois eles sempre reclamam). Muitos afirmam que a série (que em sua primeira temporada apresenta 13 episódios) não tem uma boa produção. Reclamam ainda que os episódios enrolam demais, nunca chegando em lugar nenhum. A pior crítica porém vem das cenas de ação. Há quem afirme que as cenas com lutas marciais são decepcionantes, o que em termos de "Punho de Ferro" é um problema e tanto. De minha parte não penso dessa forma. Acabei gostando do episódio piloto. Sim, as coisas acontecem no seu devido tempo, mas isso nem sempre é um defeito de roteiro. Provavelmente o ritmo esteja lento demais para quem acompanha quadrinhos, porém para séries não vi maiores problemas. Muitos vezes os roteiristas precisam apresentar o herói para o público que não o conhece dos gibis. Isso leva tempo. Por isso deixo aqui o benefício da dúvida, pois com o tempo todos esses problemas podem ser superados. É esperar para ver.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Ressurreição - Retalhos de um Crime

Título no Brasil: Ressurreição - Retalhos de um Crime
Título Original: Resurrection
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos, Canadá
Estúdio: Interlight Pictures
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Brad Mirman, Christopher Lambert
Elenco: Christopher Lambert, Leland Orser, Robert Joy, David Cronenberg, Peter MacNeill, Jayne Eastwood
  
Sinopse:
Dois detetives do departamento de homicídios da cidade de Chicago, John Prudhomme (Christopher Lambert) e Andrew Hollinsworth (Leland Orser), se unem para investigar e desvendar uma série de crimes violentos que aconteceram em ruelas sujas e abandonadas da periferia. No começo tudo parece de rotina, porém aos poucos as coisas vão ficando mais claras, revelando aos policiais um mundo sórdido de violência e brutalidade.

Comentários:
O ator Christopher Lambert escreveu o roteiro e produziu esse filme. Para a direção chamou o australiano Russell Mulcahy com quem já havia trabalhado nos filmes "Highlander: O Guerreiro Imortal" e "Highlander II: A Ressurreição". Se a parceria havia dado certo antes, muito provavelmente daria de novo. O problema é que o filme foi realizado com um orçamento restrito e uma péssima distribuição. No Brasil, por exemplo, sequer conseguiu espaço no circuito comercial de cinemas, sendo lançado diretamente no mercado de vídeo VHS. Também é importante salientar que a carreira de Christopher Lambert estava em baixa quando o filme foi lançado, o que não ajudou em nada na sua divulgação. Aliás essa é uma produção que segue sendo bem desconhecida nos dias atuais, pois poucos a assistiram. No geral é um filme policial apenas na média, que se apoia bastante no carisma de Lambert. O roteiro é de certa forma banal e nem mesmo a curiosa presença do diretor David Cronenberg no elenco consegue despertar muita atenção. Entre os filmes que exploram serial killers (os assassinos em série), um velho filão do cinema americano, esse é seguramente um dos menos conhecidos. Hoje em dia funciona apenas como mera curiosidade e nada mais.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 14 de março de 2017

Macbeth - Ambição e Guerra

Título no Brasil: Macbeth - Ambição e Guerra
Título Original: Macbeth
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: DMC Film
Direção: Justin Kurzel
Roteiro: Todd Louiso, Jacob Koskoff
Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, David Thewlis, Jack Madigan, Paddy Considine, David Hayman, Jack Reynor
  
Sinopse:
Após uma batalha vitoriosa, o nobre guerreiro Macbeth (Michael Fassbender) é honrado por seu Rei. Ele recebe um título de Duque e se torna um membro prestigiado de sua corte. Sua ambição porém vai além. Depois de executar um inimigo do trono, Macbeth encontra três bruxas que profetizam que ele próprio subirá ao poder máximo, se tornando um monarca poderoso em um futuro próximo. Encorajado pela esposa, Macbeth começa então a tramar a morte do Rei para usurpar seu poder. Filme indicado ao British Independent Film Awards e ao American Society of Cinematographers.

Comentários:
"Macbeth" foi uma peça teatral escrita pelo gênio William Shakespeare por volta de 1605. É uma obra que procura sondar o lado sórdido da natureza humana. Em foco temos a ambição, a ganância e a cobiça. O protagonista Macbeth é um homem nobre e honrado que se deixa seduzir por pensamentos ambiciosos, sem limites. Invejando a posição do Rei ele faz de tudo para assassiná-lo, para assim subir ao trono. E se tornar um regicida não é um problema para alguém que almeja o poder sem se preocupar com a ética, com a honestidade e tampouco com os valores morais de seus atos. Pior é que Macbeth tem uma esposa vil, uma mulher sem qualquer traço de humanidade, que também o inventiva a subir ao trono através do crime. É curioso porque Shakespeare aproveita sua trama de assassinatos, morte e traições, para revelar o lado mais cruel de certas mulheres, que a despeito do dinheiro, do poder e da falsa glória, aceitam planejar todos os tipos de atos cruéis. O filme é muito bom, com ótima fotografia, cenários e figurinos. Uma produção de primeira linha. O texto porém é o grande atrativo. Os produtores e o diretor optaram por usar os diálogos originais da peça de Shakespeare! Certamente vai soar um pouco erudito demais para o público atual, mas isso em última instância não é um demérito, mas sim uma qualidade. Outro ponto digno de elogios é a maneira como o cineasta Justin Kurzel resolveu filmar as cenas de combate. Toda a fúria e violência são intercaladas por cenas de puro êxtase visual, onde ele consegue excelentes efeitos com o uso de câmeras lentas de alta definição. Então é isso, uma obra cinematográfica indicada não apenas aos que desejam assistir a um bom filme, com belo visual, como também para os admiradores do inigualável William Shakespeare. Em termos de elegância ao escrever certamente nenhum dramaturgo da história chegou perto dele. Sua obra é imortal.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sexta-feira, 10 de março de 2017

A Qualquer Preço

Título no Brasil: A Qualquer Preço
Título Original: A Civil Action
Ano de Produção: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Steven Zaillian
Roteiro: Jonathan Harr, Steven Zaillian
Elenco: John Travolta, Robert Duvall, Kathleen Quinlan, William H. Macy, John Lithgow, James Gandolfini
  
Sinopse:
O importante para o advogado Jan Schlittman (John Travolta) é realizar acordos lucrativos em ações judiciais, não procurar por justiça. Ele quer o caminho mais fácil, rápido e financeiramente recompensador. As coisas mudam porém quando Jan é contratado por um grupo de famílias que foram prejudicadas por causa do vazamento tóxico causada por uma grande empresa. Duas crianças morreram por causa disso. A situação sensibiliza o advogado, que agora sim procurará lutar por justiça a qualquer preço. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Robert Duvall) e Melhor Fotografia (Conrad L. Hall).

Comentários:
Muito bom esse filme baseado em fatos reais. O primeiro grande mérito desse roteiro é desmascarar e colocar por terra aquela velha imagem romântica (e um tanto boba) que os brasileiros imaginam do sistema judiciário americano. Tanto lá, como aqui, temos uma situação em que poder financeiro fala mais alto. Na ação civil que faz parte da espinha dorsal desse roteiro (por isso o filme se chama originalmente "A Civil Action") vemos a luta de um advogado comum contra uma corporação rica e influente dentro do sistema. Famílias inteiras foram prejudicadas, duas crianças morreram intoxicadas por causa da irresponsabilidade dessa mesma empresa, mas nem isso comove os senhores de toga do sistema judicial dos Estados Unidos. Uma boa amostra que a corrupção, os interesses escusos e outros descaminhos, também fazem parte da justiça americana (que os brasileiros inocentemente pensam ser perfeita e isenta de máculas). John Travolta poucas vezes esteve tão bem em um filme, mas quem acaba roubando o show nesse elenco é o veterano e talentoso Robert Duvall, que merecidamente recebeu mais uma indicação ao Oscar por sua atuação! E se você pensa que apenas esses dois nomes chamam a atenção no elenco está bem enganado, o luxuoso elenco de apoio traz ainda atores excelentes como, por exemplo, William H. Macy, John Lithgow e James Gandolfini. Em suma um filme de tribunal bem acima da média, mostrando toda a sordidez que se pode encontrar pelos tribunais da vida. Muito recomendado.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.